No lugar onde vive estes casos há sempre alguém que está entre o vilarejo e a estrada de chão batido. Um deles habita aqui, nesta cidade. Anda, corre, dança e hiberna. Vai e volta, lembra que ainda pertence àquele lugar.
Quando imaginamos que ele se foi, que tirou sua nacionalidade em outro país beeeeeeem distante, lá está ele, ainda segurando as malas, o guarda-chuva e o cantil de água. Aparentemente causa murmurações entre a vizinhança que insiste em querer abordá-lo, e quando há a mínima oportunidade, ele se afasta. Medo? Insegurança? Talvez sentindo algo recíproco...Ninguém sabe.
O que dizem é que ele mora em um lugar que não tem localização. Existe é claro, mas não se sabe onde. é como que flutuasse como fluido transparente não palpável, mas com muitos estímulos de reminiscência e cores realçantes entre o branco, cinza, preto e por vezes [dolorosamente] vermelho.
Está ali na brecha, na falha da madeira fresca, no eco do pássaros em bando com se distanciam, no açúcar no fundo do copo, no intervalo das batidas do coração, no toque de um galho roçando no outro, no piscar dos olhos, na espera da chamada ao telefone, no meio do laço da fita, no ponteiro dos segundos, no intervalo entre o sinal verde e o vermelho.
A crença agora é na inexatidão que há no lugar em que ele ocupa e no efeito ao certo que ele causa na vizinhança. Tudo é incerto, mas as vezes intenso como a lógica da matemática. Dialeticamente incompreensível.Cansei de entender. E antes mesmo, de viver isso. Hoje aprendi a conviver com os picos e com as idas e vindas deste viajante.
Todavia, uma coisa é certa: Não troco minha casa segura, quente e aconchegante por uma trilha empoeirada, sem rumo e sem sentido.

"Está ali na brecha e na falha"...eita, eita...e é! Trocar o aconchego? Jamais, jamais. \o
ResponderExcluir